O futebol é maior que o Brasil
Estamos fora. Ela nos deixou, e não parece ter se abalado. Está solteira e feliz. A festa está rolando, o DJ está soltando as melhores músicas agora, o clima está esquentando, e ela dança, flertando com outros, espalhando amor nas luzes estilhaçadas da boate, no calor de lá de dentro, enquanto nós estamos fora. Acabamos de sair e estamos no banco de trás do táxi, prontos pra voltar pra casa. Mais cedo. Ouvindo apenas o ruído da batida do som lá de dentro fazendo tremer as paredes. Enquanto ela estiver seduzindo outros felizardos que estarão vivendo a melhor balada de suas vidas, estaremos debaixo dos lençóis, no silêncio de pedra da nossa cama, sob a luz do abajur.
“Abajur”, uma das únicas palavras que conheço em francês. Malditos franceses filhos da puta - é o que sinto agora. Insistem em ser o único país que não tem medo do Brasil. Nem dentro, nem fora do campo. Henry alfinetou o nosso calcanhar de Aquiles. “Vocês são pentacampeões porque aí as crianças não estudam e podem jogar bola o dia inteiro”. Com uma declaração, Henry retirou a mágica do nosso futebol, e com um chute, nos fincou de vez na realidade. Estamos fora.
Nossos heróis não são mágicos, e à porta deles a derrota também bate. Do lado de fora, exigiram um show na Alemanha, e acharam que os mitos nunca precisariam de um grito de incentivo da platéia. Se bastariam por si sós. Os desumanizaram. Eu, daqui, não ouvi em nenhum jogo um barulho de torcida brasileira. Do lado de dentro, acharam que não precisariam se esforçar, se movimentar e ganhar divididas, porque eram mitos. Não tinham nada a provar, mas apenas a confirmar. Perigoso. Estamos fora.
Uma pena.
Só daqui a 4 anos.
E o Brasil tem que voltar pra realidade, eleições em outubro, problemas, problemas, problemas.
Mas a Copa continua, estranhamente sem o seu maior protagonista dos últimos anos. Foram 26 jogos seguidos, em 12 anos. Um casamento duradouro. Voltar pra casa mais cedo, enquanto a balada ainda rola, chega a ser insólito. Mas a derrota faz parte da vida e às vezes é bom lembrar que o futebol é maior que o Brasil. Somos iguais a todos. Mortais. O casamento acabou, a Copa agora flerta com outras nações, outras paixões, e só nos resta o ciúmes e o estômago revirado de um sonho que acaba, um amor que nos abandona - e dança para outros.


4 Comments:
Não chora, Mol!
liberté, igualité, vaisefudê Henry do caralho.......
Mas continuo pegando o Arsenal no W11 e o henry continua bagaçando.....
E Itália campeã.....
Penta ameaçado, roberto carlos cabaço e cafú, pra não perder o bordão, vai tomá no cú...
O que nos resta.......eleições.....não!
tricolor tetracampeão.....da-lhe Ilsinho!
Snif, snif...
E nem o Felipão conseguiu ganhar, porra... Tudo que a gente torce dá merda. Corinthians, Seleção, Felipão...
Essa Copa só serviu pra uma coisa: O Gordo é o maior artilheiro de todas as Copas.
De resto, vou torcer não pra França, mas pro Zidane. Truta dos brasileiros. Carrasco, mas truta...
E o Indião continua me devendo 10 mango pela aposta que a gente fez (eu breaco, mas cheio de razão) ainda na primeira fase da Copa, de que a França se classificaria. Ironia...
Futebol agora só o ano que vem. Ou só se for pra jogar na Ana Neri !!!
é que são muitas emoções...
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