segunda-feira, julho 31, 2006

SOMOS EGOÍSTAS (O sistema em que vivemos é reflexo de nós mesmos)

A humanidade passa por um período da sua história no qual o meio ambiente vive em constante perigo. O sistema em que vivemos promove um crescimento desordenado, um consumismo exacerbado, alimentando uma feroz evolução tecnológica não planejada, que devasta nosso habitat natural sem compaixão nem consciência. Tornando-se praticamente um mal irremediável, o capitalismo, patrocinador oficial do egoísmo, fantasiado de democrata, deixa a sua ganância descontrolada domar todos os seus sentidos, lhe privando da sensibilidade de perceber um sistema ecológico que definha, tornando, aos poucos, a desertificação do planeta um fato consumado. Porém, se por algum momento, em alguma parte do córtex cerebral, acendesse uma luz que acionasse o escrúpulo de cada cidadão ao redor do Planeta Terra e, assim, a humanidade desse conta que a destruição do ecossistema é o caminho mais próximo da extinção do próprio ser, ou seja, da existência da própria vida, homens, genericamente falando, fingiriam uma falsa mobilização mundial altruísta, para, mais uma vez, alimentar a fonte inesgotável da sua existência; o próprio ego. Os-ama (a antítese)

terça-feira, julho 18, 2006

Tic, tac, tic, tac

O que importa? Você quer ibope, então se envolve..... Quem entra não pretende sair, mas quem sai não quer mais voltar. Vai entender? Se o seu perfil é este, começa a tirar a barba da cara, arrumar esse cabelo podre que parece o do meu saco. Traje social, carro do ano, uma mina estilosa, e a carteira gorda. A carteira, não você.......Enconlhe a barriga, spray anti-bafo e um sorriso branco. Um apê no Panamby, 4 suítes e 6 vagas, pro seus 4 carros e 2 barcos. Cama double king size com colchão de água, banheira de hidromassagem, ofurô e TV de Plasma. 213 canais na tv a cabo, notebook wide prata, iPod e 3 empregados. Um só pra cuidar do cachorro. O Dvd passando qualquer filme da Julia Roberts, e todas as temporadas de Friends à mostra. Tapete persa, vinho francês, caviar e queijos. Diretor top da multinacional, filhos crescidos, pai ídolo. -Você não é o filho do cara? Sou, cabeça erguida e nariz em pé. 35 anos depois, o cara, conhecido pra caralho, cujo sobrenome é o seu maior patrimônio, enlouquece. Fudeu! Pirou! Totalmente louco, família desesperada, o ídolo louco e as crias soltas, num mundo ilusório. Mas caralho, o que aconteceu? Porque surtou? Numa clínica? É sério? O médico disse que é stress.....Coisas do mundo atual. Mas porque caralho se estressou com esse salário? Minutos depois vem o veredicto. Justamente na época do surto, uma auditoria. Eclusiva no departamento do cara. 15 dias de afastamento devido ao colapso nervoso. Volta depois disso e Bum..... departamento inteiro foi mandado embora. Inclusive o cara, o maior de todos a rodar. Depois da auditoria? Hummm.....Começo a entender o porque do nervoso.........35 anos de fgts referente ao salário monstruoso deve ter rendido por baixo 2 milhões, suficiente para o resto da vida. Bomba! Justa causa! Sai com uma mão na frente e outra atrás. O ídolo caiu. A casa caiu. Até o pinto caiu. Chegando em casa com a noticia drástica pra família - que esperava o ídolo chegar somente a noite com os milhões. Chegou cedo. Abriu seu quarto, o jardineiro do jardim fiel comia sua esposa, infiel. Chorando, recorre aos filhos, o mais velho pitando um charlizzz no quarto. O mais novo, viado, toca uma bronha com a revista chambers. Antonio Scarpa, olha da janela do 8º andar. Um passo a frente e você não está no mesmo lugar......Pula. Bate em todas as árvores possíveis e cai. Quebrou o pé, o cóx e a bacia. E não morreu. Foi pro hospital com a mulher aos prantos. -Desculpa, mas esse plano de saúde não vale mais. o HC é logo ali. Do seu pro inferno em minutos. 2 horas depois hemorragia interna. Urgente!!! Induzem o coma. 20 anos de coma. - Acorda!!! Acorda!!! Acorda!!!

segunda-feira, julho 03, 2006

O futebol é maior que o Brasil

Estamos fora. Ela nos deixou, e não parece ter se abalado. Está solteira e feliz. A festa está rolando, o DJ está soltando as melhores músicas agora, o clima está esquentando, e ela dança, flertando com outros, espalhando amor nas luzes estilhaçadas da boate, no calor de lá de dentro, enquanto nós estamos fora. Acabamos de sair e estamos no banco de trás do táxi, prontos pra voltar pra casa. Mais cedo. Ouvindo apenas o ruído da batida do som lá de dentro fazendo tremer as paredes. Enquanto ela estiver seduzindo outros felizardos que estarão vivendo a melhor balada de suas vidas, estaremos debaixo dos lençóis, no silêncio de pedra da nossa cama, sob a luz do abajur. “Abajur”, uma das únicas palavras que conheço em francês. Malditos franceses filhos da puta - é o que sinto agora. Insistem em ser o único país que não tem medo do Brasil. Nem dentro, nem fora do campo. Henry alfinetou o nosso calcanhar de Aquiles. “Vocês são pentacampeões porque aí as crianças não estudam e podem jogar bola o dia inteiro”. Com uma declaração, Henry retirou a mágica do nosso futebol, e com um chute, nos fincou de vez na realidade. Estamos fora. Nossos heróis não são mágicos, e à porta deles a derrota também bate. Do lado de fora, exigiram um show na Alemanha, e acharam que os mitos nunca precisariam de um grito de incentivo da platéia. Se bastariam por si sós. Os desumanizaram. Eu, daqui, não ouvi em nenhum jogo um barulho de torcida brasileira. Do lado de dentro, acharam que não precisariam se esforçar, se movimentar e ganhar divididas, porque eram mitos. Não tinham nada a provar, mas apenas a confirmar. Perigoso. Estamos fora. Uma pena. Só daqui a 4 anos. E o Brasil tem que voltar pra realidade, eleições em outubro, problemas, problemas, problemas. Mas a Copa continua, estranhamente sem o seu maior protagonista dos últimos anos. Foram 26 jogos seguidos, em 12 anos. Um casamento duradouro. Voltar pra casa mais cedo, enquanto a balada ainda rola, chega a ser insólito. Mas a derrota faz parte da vida e às vezes é bom lembrar que o futebol é maior que o Brasil. Somos iguais a todos. Mortais. O casamento acabou, a Copa agora flerta com outras nações, outras paixões, e só nos resta o ciúmes e o estômago revirado de um sonho que acaba, um amor que nos abandona - e dança para outros.