A Babilônia e as raízes do novo reggae BR
Bom, como nas últimas semanas estamos falando de reggae e suas vertentes, resolvi escrever um comentário sobre a nova cena (eu odeio essa palavra) que está se formando no Brasil. Vamos lá!... Pense rápido, qual é a capital do reggae no Brasil? Não, não é São Luiz. A capital é São Paulo. Isso mesmo, a Babilônia finalmente está dando frutos. E não tem nada de podre neles. São de sampa três grupos do gênero que acabam de lançar discos: Echo Sound System (Tempo Vai Dizer), Sapotone and The Love Rockers (idem) e Firebug (On the Move). Ao contrário do reggae tradicional (chamado de roots), que estava sendo feito no país nas últimas duas décadas e que parecia congelado no tempo (entenda como Tribo de Jah, Cidade Negra, Natiruts e Planta e Raiz), essas novas bandas trazem uma sonoridade mais abrangente, ampla. Tem para todos os gostos... Tempo Vai Dizer, por exemplo, vai do rocksteady até o hip-hop, passando pelo próprio roots, dub e dancehall. O coletivo abusa das ferramentas de gravação dos dias de hoje para imprimir uma sonoridade atemporal às suas músicas. Tanto que algumas das faixas parecem ter saído de algum estúdio de Kingstown, direto dos anos 60/70. Os vocais do Echo (cantados em inglês, francês e português) são turbinados por uma porrada de participações, entre elas: Funk Buia, Arcanjo, Pyroman, Gerenal Smiley e Jimmy Luv... Com a maioria das músicas em inglês, o Firebug também faz um passeio pela música jamaicana do século passado, dando ênfase ao ska e ao rocksteady (com algumas pitadas de dub). On the Move é o segundo disco dos caras e tem a participação especialíssima de B-Negão, na faixa Injustiça. Só para se ter uma idéia, o grupo foi idealizado pelo guru/multi-instrumentista/produtor Victor Rice, americano radicado em São Paulo que tem um currículo maior do que muita ficha criminal de político brasileiro. Já tocou baixo em não-sei-quantas bandas de ska, produziu inúmeros discos do gênero, acompanhou lendas jamaicanas como Desmond Dekker e participou do Dub Side of the Moon. Quer mais? Então toma! O cara também tem um cd solo, que foi gravado metade em São Paulo (estúdio El Rocha) e metade em New York. O disco, chamado In America, é quase uma aula didática para se entender a música feita na ilha caribenha... Nadando na contramão das duas bandas está a Sapotone and The Love Rockers e tem na mistura do reggae com o funk/rock/samba sua principal característica. Enquanto que um pé está na Jamaica, o outro insiste em permanecer fincado no Brasil, visível nas influências de Jorge Bem, Tim Maia e dos mais recentes Bonsucesso Samba Clube, Ultraman e Eddie. Apesar do nome, todas as letras (excelentes, por sinal) são cantadas em português pelo baterista e líder da banda Guilherme Sapotone. O disco é co-produzido por Daniel Ganja Man e vem com as participações de Max B.O. e Rodrigo Brandão... Vale lembrar de outros grupos que também bebem da fonte caribenha, entre eles: Digital Dubs (sound system carioca que apavora onde quer que passa), Monjolo (banda de Recife que mistura dub com outras vertentes eletrônicas), Adão Dãxalebaradã (compositor e poeta carioca que mistura dub com afro-beat, música popular brasileira e música de terreiro) e Dubversão (sound system paulista que faz todo mundo dançar). Para citar alguns. Esse post é dedicado ao meu irmão Ortiz, entusiasta da música jamaicana e que faz aniversário amanhã. Parabéns trutão!!! Um bom carnaval com muito reggae para todos nós. Jah Bless!


1 Comments:
Vou mesmo entender este post como uma homenagem!
Valeu iramãoooooo!
Presente sugerido: Copia o echosound pra mim!!!!!!
Amanhã é nois, valeu..
ortiz
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