segunda-feira, janeiro 30, 2006

O Episódio de Josmar (parte 2 de 3)

Um grito de Josmar ? Esperaram mais alguns segundos quietos, se perguntando com olhares, se tinham mesmo ouvido aquilo. Quinhão se manifestou primeiro: “Josmar ? E aí, cumpadre ?!” Silêncio. Zé colocou seu capacete na cabeça e agachou até o bueiro. Gritou por Josmar. E não demorou muito para ouvirem o gordo pedreiro subindo pela escada. Josmar voltou a superfície, pesado, sob o olhar apreensivo dos colegas. Estava com uma mão suja, e outra mão inquieta dentro do bolso, mas sem nenhum machucado. Só que seus olhos estavam novamente em transe, mas pela primeira vez, parecia que se não fosse pelos chamados e chacoalhões dos colegas, Josmar não iria voltar à consciência nunca mais. Mas voltou. Ficou quieto. Apesar de ser um quase-mudo, todos esperaram Josmar falar. O que acontecera lá em baixo ? E ele olhou um por um, afastou Zé de sua frente, mirou um bar na esquina oposta e caminhou devagar até ele, cruzando o calmo cruzamento - na madrugada de São Paulo. Zé quis acompanha-lo, Gilmar não deixou. Esperaram. O gordo pedreiro, com seu uniforme amarelo, mão esquerda no bolso, foi entrando no bar. Do balcão, um velinho grisalho bebendo sua maria-mole o observou chapado e curioso. Josmar parou no balcão, pediu um copo d`água da torneira. A garganta seca. Antes de bebê-lo, avistou a porta do banheiro. Dentro do estreito banheiro pixado, o gordo pedreiro encostou na pia e lavou o rosto. Esfregava a água na cara. A torneira aberta, Josmar se encarou no espelho, a respiração fazia seu peito se movimentar repetidamente. Ele olhou para baixo, puxou algo de seu bolso que tinha trazido dos subterrâneos: um papel metálico dourado com um punhado de palavras escritas. Josmar era analfabeto. Não conseguiu decifrar nada daqueles símbolos estranhos. Mas sabia que aquilo agora era seu. Passaram-se dois dias, o acontecimento virou piada entre os colegas. Riam, mas ainda não sabiam o que de fato Josmar tinha visto naquela parte do esgoto da cidade (tampouco mostrara aos colegas o papel dourado). Não quiseram insistir. Era só mais uma estranheza do pedreiro. Só que, depois daquela noite, Josmar aparentava estar mais distraído do que de costume. Já não trabalhava direito. No terceiro dia, Josmar não apareceu para terminar de asfaltar uma parte da Av Brasil. Naquele dia, quis acompanhar sua filha de 9 anos à escola. Tarefa que normalmente era da mãe. Não bastou levar a filha até a portão do colégio, quis ir com ela até a classe. E foram, um bruto quase-mudo de mãos dadas com uma garotinha que era de se duvidar ser sua filha, de tão graciosa- seus cabelos dançavam contentes a cada passo. Quando chegaram na porta da sala, Josmar não foi embora. Esperou a professora entrar e, com um esforço visível para construir uma frase, pediu para que ela lhe fizesse um favor antes de começar a aula. “Professora... vem cá comigo... um minuto. Quero te mostrar uma... coisa”- e virou-se para a menina: “Espera aqui, filha”. A garotinha viu o pai caminhar com a professora até o finzinho do corredor do colégio. Viu ele sacar o papel dourado do bolso (que brilhava ainda mais quando refletia a luz vinda das janelas) e mostrar para a sua professora, que o leu em voz baixa, com sobrancelhas intrigadas. Depois, a mulher devolveu o papel, e disse algo para o pedreiro. Josmar, analfabeto, deve ter ficado uns vinte segundos parado, reflexivo, na frente da professora. “Mãe, hoje o pai falou com a psôra !”- disse a garotinha, de noite, em casa. A esposa de Josmar estava preocupada. Seu marido estava mais estranho do que o normal. Num descompasso com a vida normal. Não conversava nem mais o pouco que antes conversava. Não encostava mais na mulher, não comia direito. Quase grudou lentamente o rosto na TV quando viu uma simples propaganda de protetor solar que se passava no mar de uma praia. Dia seguinte, era o aniversário de Josmar. Fizeram um bolinho, apagaram a velinha. O pedreiro sorriu para a filha, e só. Nem o bolo comeu. Como de costume, nenhum familiar seu ligou. Nem pai, nem mãe, nem primo, nem ninguém. Antes de dormir, abriu a porta de casa e deu uma saidinha lá fora. Sua mulher o observou. Josmar estava parado, olhando os céus. Puxou o papel dourado (que trouxera dos subterrâneos) de dentro do bolso, olhou-o mais uma vez e voltou a fitar as poucas estrelas entre nuvens avermelhadas da noite de São Paulo. Ficou uns dez minutos lá fora e depois entrou. Deu um beijo demorado na bochecha de sua mulher (que teve que se conter para não chorar pelo gesto raro do marido), foi até o quarto de sua garotinha e disse, pausadamente: “Amanhã... você não vai pra escola, ...tá? ...Vai vir comigo”. A garotinha sorriu, pensando com olhos de fantasia, se ajeitando toda para bem-dormir, se perguntando curiosa: o que é que iriam fazer no dia seguinte ? Josmar acordou a filha tão cedo que a menina não sabia nem se ainda era dia ou noite. De fato, era meio-a-meio. Mas, assim, em questão de um rápido café da manhã, a noite virou dia por inteiro, e Josmar levou a filha sonolenta para fora de casa, sem nem acordar a esposa. Desceram a ladeira para pegar a condução, o pedreiro e sua pequena garotinha, que o acompanhava, quase correndo. Pegaram um dos únicos ônibus que Josmar distinguia pela cor e formato das letras. A filha curiosa, perguntou para o pai: “Onde é que a gente ta indo ?” Josmar não respondeu. Apenas puxou o papel metálico do bolso. A garota espiou pela segunda vez o papel, o reconhecendo pelo brilho. Pediu para ver, em vão. Se aborreceu. Desceram do ônibus, pegaram um metrô. Em dois cochilos da filha, já tiveram que descer novamente. Estavam agora em um local onde Josmar sentia que não conseguiria se orientar sozinho: a rodoviária Tietê. Sentia também que estava no destino certo, mais perto do que precisava fazer. E foram os dois: o bruto, pedreiro, pesado e analfabeto, quase mudo, de mãos dadas com sua esperta e graciosa filha, caminhando por entre todo tipo de pessoas, que chegavam de malas, descontentes, ou partiam, eufóricas. O pedreiro Josmar resolveu então contar pra filha: “A gente vai viajar... Eu e você. Eu preciso de sua ajuda... com as palavras...”. E Josmar, que não sabia ler, puxou novamente o papel dourado do bolso: “Sua professora disse... que está escrito aqui... nesse... bilhete... o nome de um lugar”...

quarta-feira, janeiro 25, 2006

O Episódio de Josmar

(PARTE 1 DE 3) Quando todos voltam bêbados para casa, com seus carros musicando as ruas tortas da madrugada de São Paulo, respirando de farol em farol - aqueles pedreiros trabalham. Horário alternativo. Com uniformes amarelo-vivo, consertando a calçada, tapando algum buraco para a prefeitura, manuseando máquinas que nunca vimos, fazendo algo que nunca sabemos exatamente o que é – na madrugada de São Paulo. Como se estivessem numa barulhenta bolha temporal à parte, no meio do silêncio entrecortado da noite asfaltada. Quando todos dormem ou caçam um par ou simplesmente bebem, eles trabalham. Os pedreiros de uniforme amarelo. Josmar era um desses pedreiros. Seu episódio começou numa noite dessas. Um pedreiro gordo e estranho. Por fora nem era tão estranho. Só que suas mãos eram enormemente grandes. E a barba, nunca lisa, nunca cheia, sempre-rala, estagnada. Seus olhos pretos serenos é que de vez em quando entravam em transe, sempre durante as partidas de dominó no final do expediente das construções em que trabalhava durante o dia. Zé e Quinhão já estavam acostumados. Sempre que uma jogada exigia um pouco mais de atenção, Josmar parecia entrar em uma outra freqüência, e depois voltava. Assim, em segundos. Almoço no boteco, Josmar só pedia peixe. Nada de carne, bife, feijoada.Todo dia, peixe. E não era de conversa. Não era de Corinthians, de Palmeiras, de nada. Mas entendia de ser pedreiro. Trabalhava compenetrado. E tinha meia dúzia de amigos. Em casa, uma esposa, um filho de 3 e uma linda filha de 9. Nunca trouxe se quer um parente para visita, desde que casou. Seus filhos nunca conheceram os avós paternos, nem tios. No começo, a esposa perguntava, mas depois acostumou. Josmar era um bruto quase-mudo. Não dominava a arte das palavras. E tinha um hábito estranho: toda sexta-feira que o Globo-Repórter exibia reportagens sobre animais, praias, lugares, Josmar assistia em silêncio, do começo ao fim. E durante alguns segundos, seus olhos entravam em transe, como nas partidas de dominó. Enquanto sua família se entediava, Josmar parecia se transportar para o rio da Amazônia junto com o repórter. Foi que houve uma terça qualquer que Josmar saiu com seu uniforme amarelo para um trabalho de madrugada. Os pedreiros se reuniram, montaram os cones em um cruzamento de pouco movimento, e abriram o bueiro. Concerto de um cano do esgoto. Estavam alegres, os pedreiros, comentando o Corinthians e São Caetano do Pacaembú de domingo último. Josmar, claro, em silêncio. Zé desceu com Gilmar, capacetes com lanternas, com cuidado. Era um serviço nas entranhas subterrâneas da cidade. Quinhão quis ficar: “Não gosto de buraco, não. Fico aqui pra ver o trânsito”. Josmar esperou também. No silêncio do asfalto. Minutos se passaram. Josmar preparou seu equipamento. Zé e Gilmar subiram com mãos sujas: “Vai lá Josmar, já marcamos o cano. Faz o remendo”. E desceu Josmar para o esgoto da cidade. Zé avisou: “Só que ta meio longe. Anda um pouco, esquerda, vai ver a sinalização”. Josmar foi, subterrâneo, bruto, quase-mudo. Em cima, minutos correram, conversas sobre novela, sobre Lula, sobre mulher. De tempos em tempos, um carro passava, pondo vírgula no papo. Esperavam. Confiavam em Josmar para o serviço. Tudo muito calmo. Até ouvirem um grito grave e assustadoramente longo lá de baixo, que ecoou na brisa quente da superfície. Se entre-olharam. Um grito de Josmar ?

quinta-feira, janeiro 12, 2006

Quem é esse cara?......

.....Sabotage. -Cumprimenta os mano aí?... -E aí nego veio, forte? Firmão nego? -É isso aí, mais um negócio que nós vamos investir! - Como é que é? - É isso aí, tem cinco gravadoras nas bota do cara......5 conto pra gente gravar o cara.....Manda o Som aí Sabotage: "Não sei qual que é, se me vêm dão ré, trinta cara a pé, do piolho.................." Tá bom, parô, parô...... - Ih!Mano, o cara tá desgostoso da vida e não curte um Rap........ "Paulistinha uh!ha!, aqui é cuca rapá, brooklin sul - espraiadas terror da sul pela máfia.............Acredito, só mesmo Deus dá orgulho aos meus filhos........o crime não é mel, a boa ou então o céu, é zona sul, impossível não lucrar com o papel, só perversão bacharél............." Tudo isso só pra entrar no melhor refrão de Rap, ou melhor de música, do Mundo de todos os tempos. " NÃO SEI QUEM MATA MAIS, A FOME, O FUSIL OU O EBOLA. QUEM SOFRE MAIS, OS PRETOS DAQUI OU OS DE ANGOLA. O QUE NOS RESTA É ESPALHAR QUE DEUS EXISTE AGORA É A HORA, PORQUE A PAZ PLANTADA AQUI IRÁ DÁ FLOR LÁ FORA" Eu só não posso me esquecer de lembrar, sei que o que é certo, é certo, eu me preservo.......... Corre perigo, predador vacilô, presa facil virô............. Isso que dá VIR PRO TRAMPO OUVINDO NO TALO SABOTAGE, O MALUCO MAIS CASCA DO RAP NO MUNDO.....OUH!OUH!OUH! LADRÃO, LÁLAIALAIA..............

terça-feira, janeiro 10, 2006

AINDA SEREMOS OS MESMOS E VIVEREMOS COMO OS NOSSOS PAIS

Ano: 2032 Local: a sala da minha casa E depois de umas duas horas, ela chegou em casa. Chovia lá fora. A menina entrou, com seus 14 anos, alta, bonita, olhos verdes-vivos. Minha filha. Vestia uma capa de chuva sintética auto-absorvente rosa. Entrou devagar, passou a mão no cachorro, um pouco aflita, depois veio em minha direção, me olhando a passos meio-medrosos, pescoço curvado - mas não desviou o olhar. Pelo contrário, olhava firme pra mim, quase me desafiando. Não me beijou, apenas se sentou no sofá-geléia, ainda de capuz na cabeça. E eu de pé, bebendo meu wisky, depois de uma semana viajando a trabalho. - "Senta aí, pai" - disse ela -"Preciso conversar com você". Minha mulher passou por mim, me deu uma olhada que parecia pedir complascência, e foi pra cozinha, em silêncio. -"A mamãe já viu"- minha filha falou pra mim, sentada, ainda com a capa de chuva, já quase seca. -"Viu o quê ?"- perguntei, me sentando no sofá-espuma. Ela me olhou, sua cabeça queria baixar pro chão, mas seus olhos continuavam fixos em mim -"Todas as minhas amigas já fizeram. Quer dizer, quase todas, menos a Gal, porque ela tem mais medo..." -""Do quê, porra ? Medo do que ?" -"Não fica bravo, pai. Eu fiz com o crédito que eu juntei..." O que ela estava tentando me dizer afinal ? -"Pai, eu fiz faz uma semana, enquanto você tava viajando. Mas hoje eu vou... te mostrar, porque a mamãe me convenceu. Porque eu não gosto de esconder nada, né..." Foi então que tudo se encaixou na minha cabeça: minha filha tinha feito merda. Uma merda que ela já tinha comentado comigo, uma merda que já tinha rendido uma discussão em algum jantar a mêses atrás. Achei que era passageiro, coisa de adolescente. -"Eu não acredito. É o que eu tô pensando que é ?" Ela moveu a cabeça em sinal de positivo. -"Eu não acredito. Não acredito. Aonde ? Aonde você fez ?" Ela me olhava, franzindo-se toda. Não respondeu. -"E pra arranjar emprego, dona ? Como é que você faz agora? Por que não tem volta... é pra sempre, até você ficar velinha !" -"Eu sei, pai" -"E você acha isso bonito ?" -"Você ainda nem viu, pai! Eu acho, sim, se não eu não faria!". -"Então vai ! Mostra logo !" E ela se levantou. Minha filha. Olhou para o chão pela primeira vez na nossa conversa. Mas estava de pé, me desafiando. Estava de pé, desafiando toda a minha tolerância. Minha filha, de pé, desafiando toda a minha geração. Ela levou as mãos à cabeça para retirar o capuz de chuva que cobria seus lindos cabelos. E eu vi: um par de chifres implantados na cabeça. De três ou quatro centímetros cada. Ossos. Implantes ósseos, na cabeça da minha filha, pra sempre. Não consegui olhar pra aquilo por mais de 5 segundos. Dei um enorme gole no meu wisky e disse a ela que eu tinha perdido o apetite. -"Janta só você e sua mãe" -"Você nunca vai entender, pai. Porque você é velho." **************************************************** O texto acima não é uma ficção. Ele realmente vai acontecer, com um amigo do amigo do meu amigo. Isso pra mostrar que, se você acha seu pai ou sua mãe caretas, não se irrite: você ainda vai ser um. Você fez uma tatuagem na canela, eles te execraram, seu avô falou que você agora é o neto mais feio da família, e você não compreende porque tanta comoção, tanto barulho, tanto impacto, tanta balburdia, por causa de uma simples ilustração de um diabo cuspindo fogo e chicoteando a bunda de uma enfermeira semi-nua na sua perna peluda. Chame-os de caretas. Você gostaria que eles tivessem 10% da compreensão que você terá com os seus futuros filhos. Mas em 2032, lembre-se de ser compreensivo quando sua filha chegar em casa com uma prótese verdadeira de um rabo de diabinha implantada logo acima de suas nádegas. Não é viagem. No Japão a moda agora são implantes ósseos, de chifres, ou para aumentar a maçã do rosto, pra ficar tipo o Mickey Rourke no filme Sin City. E pense nas drogas. Hoje já existem pesquisas no Reino-Unido, onde se fabricam chips para serem implantados no cérebro dos seres humanos. Esses chips recebem sinais elétricos da internet e fazem com que seu cérebro absorva informações artificiais externas. Se nosso cérebro trabalho com informações eletro-químicas ( e as drogas hoje são apenas químicas) por que não existir no futuro, drogas elétricas ? Já imaginou, seu filho chapado, plugado no computador, falando com voz lerda: "Mas pai, é só um chipizinho aí. Não faz mais mal do que a bebida..." Tudo isso pra dizer o que ? Vamos lotar os nossos corpos de tatuagem, sim ! Vamos fumar maconha até queimar nossos últimos neurônios, sim ! E vamos chamar os nossos pais de caretas ! "Velhos caretas da porra !" Mas sabendo que "ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais". E sabendo que nossos filhos vão escutar as nossas músicas também. Mol

quinta-feira, janeiro 05, 2006

Vícios, Morais, Amores, Paixões e Fidelidades

"De tudo, ao meu amor serei atento Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto Que mesmo em face do maior encanto Dele se encante mais meu pensamento". Nossa, quanto tempo não aparecia por aqui para publicar um texto. Quase me esqueci dos procedimentos necessários para o feito. Mas é isso, tudo bem. Venho através deste responder o post abaixo. O que será do Junky Clan em 2006?? Puta que pariu! Pergunta difícil. Sei que, pra essa pergunta, todos tem um pensamento muito pessoal, próprio e ímpar. Mas em alguns pontos ou tópicos existem similaridades. Assim como o que vivenciamos com o Junky. Cada um tirou momentos e experiências diferentes e similares. O fato é que, para todos, o que passou signigicou alguma coisa. Coisas boas, coisas ruins, crescimento pessoal, atraso de vida. Para mim, o Junky Clan, significou muita coisa, mas muita coisa mesmo. Foi onde consegui pela primeira vez na minha vida tirar uma angústia de dentro e transformar em uma poesia capaz de atingir pessoas. Foi onde pela primeira vez acreditei que meus reais pensamentos e ideais conseguiriam formar uma opinião. hahahahahahahahahahahahahahahahahaha .... Doce ilusão???? Não. (ponto final) Lógico que, para atingir as pessoas com ideais, é necessário muito mais esforço. Mas que tipo de esforço? Acredito que criar, por incrível que pareça. Porém, criar uma obra mais consistente e significativa. E digo mais, ESTAMOS NO CAMINHO! Quando entrei pro Junky Clan, aquele lance todo de começar a fazer letra, trombar os bróders novos (que hoje tenho muita estima), os ensaios, os primeiros shows, fiquei completamente apaixonado por aquilo tudo. Era tudo novo, tudo encantador, só felicidade e tinha, principalmente, a paixão na sua essência. Como se estivesse conhecendo a mulher da minha vida. Que viagem! Se acharem engraçado, podem rir. E, ao longo do tempo, comecei a perceber que realmente estava vivendo um relacionamento com a minha banda. Alternando momentos de amor e ódio, felicidade e tristeza, concordâncias e discordâncias, compromissos, encontros e desencontros. "Quero vivê-lo em cada vão momento E em seu louvor hei de espalhar meu canto E rir meu riso e derramar meu pranto Ao seu pesar ou seu contentamento" A chama da paixão se apagou, a felicidade pura se foi e os tempos difíceis chegaram. Mas e aí??? 2006? O que vai ser? Pra falar a verdade, não sei. Também, quero que se foda o que vai ser. Pra mim o que realmente importa é no que se transformou aquela paixão. Cada gota de suor, cada lágrima rolada, cada momento feliz e cada momento triste. Quando olho pra trás e penso nesses momentos, penso com carinho. Como se fosse uma mulher amada ou até mesmo um filho. Ou seja, amor. A paixão se transformou em amor. Eu amo o Junky Clan. Sei que nem tudo dura pra sempre, mas enquanto estiver por aí, seja vingando ou somente na minha recordação, vou estar aproveitando cada segundo. "E assim, quando mais tarde me procure Quem sabe a morte, angústia de quem vive Quem sabe a solidão, fim de quem ama" "Eu possa me dizer do amor (que tive): Que não seja imortal, posto que é chama Mas que seja infinito enquanto dure".