segunda-feira, outubro 03, 2005

O Bilhete de Raja (um segundo pequeno trecho)

... o que ele viu... não queria acreditar. Parecia ser um rosto de uma linda mulher, um rosto de baixo da água da privada. Seria possível ? O momento, três segundos, eternos. Encarou aquele par de olhos femininos, amarelos, quase dourados, os fitando por de baixo da ondulação suave daquela água sanitária, e teve certeza de que aqueles olhos piscavam para ele. Seu coração saltou, sentiu seu estômago pesar quatro vezes mais. Esfregou seus próprios olhos, fechando-os, espremendo-os. Quando os abriu e olhou para a privada novamente, sentiu um misto de alívio e decepção: o rosto não estava mais lá. É lógico que não estava, pensou. Um rosto de uma mulher, linda, dentro de uma privada tosca de um banheiro sujo e porco ? Como pôde pensar que aquilo era verdade ? Apenas uma alucinação. Sentiu vergonha de si mesmo. Vergonha de ter acreditado por um momento que aquilo estava acontecendo com ele. Sentiu sua bexiga. A vontade de mijar, então, voltou, mais forte do que antes. Mas que porra que aquela cozinheira maluca tinha posto na comida que acabara de comer ? O que é que causara essa vontade de mijar extrema, e ainda por cima uma viajem desse grau ? Uma mina dentro de uma privada ? Tentou lembrar com mais detalhes do aspecto da comida - um tanto colorida demais. Psicodélica. Será que era a comida ? O garoto sacou o pau pra fora e começou a mijar. Que alívio, meu Deus ! Mijou de olhos fechados, durante quase um minuto. Quando se deu por si novamente, percebeu algo que fez com que seu coração voltasse a pular. Não era possível. Muito fantástico pra ser verdade, muito real pra ser mentira: a medida que a urina que saia de seu corpo atingia a água da privada, como que nascida de uma reação química, uma fumaça roxa e amarela ia tomando conta do banheiro. Quanto mais mijava, mais fumaça colorida saia da privada. Ele quis parar de urinar, mas não conseguiu. Xingava internamente a cozinheira ao mesmo tempo em que se perguntava se estava mesmo ficando doido. Pensou até em parar de fumar maconha. E mijava sem parar. Se prometeu nunca mais tomar um doce na vida. E mijava sem parar. Pensou no extremo, pensou em... não precisou. Finalmente parou de urinar. A fumaça colorida tinha tomado o pequeno banheiro por inteiro, e dificultava a visibilidade. Um cheiro de erva-doce, cheiro de planta, cheiro de infância. Era gostoso, mas havia muita fumaça, estava incomodado. O garoto começou a agitar os braços para espantar a fumaça, e esbarrou na cordinha da descarga. No reflexo, puxou a cordinha, e deu a descarga. A privada emitiu um barulho mágico ensurdecedor (agora alguém lá fora vai me ouvir aqui, pensou), e toda a fumaça foi sugada para dentro do vaso sanitário. Pronto. Tudo estava como antes. Já conseguia enxergar as paredes pixadas do banheiro novamente. Respirou fundo, as mãos tremendo. O coração deu uma suavizada... por pouco tempo. O muleque olhou para a parede, e viu, logo acima do vaso sanitário. Não acreditou. Aquilo, naquela parede, era demais! O que ele viu...

4 Comments:

Anonymous Anônimo said...

....inacreditável!!

Na parede, estava a imagem do DJ Mol, sentado à frente de um computador, respondendo emails!!


Não, não..... era apenas uma ilusão!

9:56 AM  
Anonymous Anônimo said...

ele viu um olho desenhado na parde que parecia ser muito real. Um olho mágico, pensou ele. Chegou perto pra ver dentro do olho e quando encostou, ficou cego por alguns segundos, deseperado ele coçou o olho, e quando abriu de novo percebeu que o olho da parede era dele. Quis chorar. Chorou. E da parede escorreu tinta. ele chorou tinta. A agua da privada ficou colrida. Um misto de medo e desepero tomou conta do muleque quando da agua colorida surgiu.......

12:28 PM  
Anonymous Anônimo said...

Valeu pelo comentário acima. Muito boa a idéia do olho mágico. Vou usar com certeza, mas não no próximo trecho, mesmo porque, ele já tá pronto na minha cabeça. Mas é impressionante a idéia do olho mágico. Tá anotada no caderno. Muito boa. É nóis!!

4:32 PM  
Anonymous Anônimo said...

Uma vez tive gonorreia. Quando eu mijava via estrelas.

3:00 AM  

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