O Bilhete de Raja (um segundo pequeno trecho)
... o que ele viu... não queria acreditar. Parecia ser um rosto de uma linda mulher, um rosto de baixo da água da privada. Seria possível ? O momento, três segundos, eternos. Encarou aquele par de olhos femininos, amarelos, quase dourados, os fitando por de baixo da ondulação suave daquela água sanitária, e teve certeza de que aqueles olhos piscavam para ele. Seu coração saltou, sentiu seu estômago pesar quatro vezes mais. Esfregou seus próprios olhos, fechando-os, espremendo-os. Quando os abriu e olhou para a privada novamente, sentiu um misto de alívio e decepção: o rosto não estava mais lá. É lógico que não estava, pensou. Um rosto de uma mulher, linda, dentro de uma privada tosca de um banheiro sujo e porco ? Como pôde pensar que aquilo era verdade ? Apenas uma alucinação. Sentiu vergonha de si mesmo. Vergonha de ter acreditado por um momento que aquilo estava acontecendo com ele. Sentiu sua bexiga. A vontade de mijar, então, voltou, mais forte do que antes. Mas que porra que aquela cozinheira maluca tinha posto na comida que acabara de comer ? O que é que causara essa vontade de mijar extrema, e ainda por cima uma viajem desse grau ? Uma mina dentro de uma privada ? Tentou lembrar com mais detalhes do aspecto da comida - um tanto colorida demais. Psicodélica. Será que era a comida ? O garoto sacou o pau pra fora e começou a mijar. Que alívio, meu Deus ! Mijou de olhos fechados, durante quase um minuto. Quando se deu por si novamente, percebeu algo que fez com que seu coração voltasse a pular. Não era possível. Muito fantástico pra ser verdade, muito real pra ser mentira: a medida que a urina que saia de seu corpo atingia a água da privada, como que nascida de uma reação química, uma fumaça roxa e amarela ia tomando conta do banheiro. Quanto mais mijava, mais fumaça colorida saia da privada. Ele quis parar de urinar, mas não conseguiu. Xingava internamente a cozinheira ao mesmo tempo em que se perguntava se estava mesmo ficando doido. Pensou até em parar de fumar maconha. E mijava sem parar. Se prometeu nunca mais tomar um doce na vida. E mijava sem parar. Pensou no extremo, pensou em... não precisou. Finalmente parou de urinar. A fumaça colorida tinha tomado o pequeno banheiro por inteiro, e dificultava a visibilidade. Um cheiro de erva-doce, cheiro de planta, cheiro de infância. Era gostoso, mas havia muita fumaça, estava incomodado. O garoto começou a agitar os braços para espantar a fumaça, e esbarrou na cordinha da descarga. No reflexo, puxou a cordinha, e deu a descarga. A privada emitiu um barulho mágico ensurdecedor (agora alguém lá fora vai me ouvir aqui, pensou), e toda a fumaça foi sugada para dentro do vaso sanitário. Pronto. Tudo estava como antes. Já conseguia enxergar as paredes pixadas do banheiro novamente. Respirou fundo, as mãos tremendo. O coração deu uma suavizada... por pouco tempo. O muleque olhou para a parede, e viu, logo acima do vaso sanitário. Não acreditou. Aquilo, naquela parede, era demais! O que ele viu...


4 Comments:
....inacreditável!!
Na parede, estava a imagem do DJ Mol, sentado à frente de um computador, respondendo emails!!
Não, não..... era apenas uma ilusão!
ele viu um olho desenhado na parde que parecia ser muito real. Um olho mágico, pensou ele. Chegou perto pra ver dentro do olho e quando encostou, ficou cego por alguns segundos, deseperado ele coçou o olho, e quando abriu de novo percebeu que o olho da parede era dele. Quis chorar. Chorou. E da parede escorreu tinta. ele chorou tinta. A agua da privada ficou colrida. Um misto de medo e desepero tomou conta do muleque quando da agua colorida surgiu.......
Valeu pelo comentário acima. Muito boa a idéia do olho mágico. Vou usar com certeza, mas não no próximo trecho, mesmo porque, ele já tá pronto na minha cabeça. Mas é impressionante a idéia do olho mágico. Tá anotada no caderno. Muito boa. É nóis!!
Uma vez tive gonorreia. Quando eu mijava via estrelas.
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