terça-feira, setembro 06, 2005

Não há bem que dure pra sempre, mas não há mal que seja eterno....

Se tem pinga a gente bebe, se não tem a gente cocha, se não tem a gente pica e se não tem a gente dorme. Sujo. Bastião, ou seo Sebastião, como era conhecido vie rodeando a vila mariana. Acompanhado do cangurú, o seu cachorro, ele procura quase que cirurgicamente latinhas no bairro. Sempre que passo por ele falo: Oh! Bastião... E ele nunca responde. Ontem, após 1 semana juntando, dei ao bastião 1 saco cheio de latinha. Ele me olhou, e com os olhos marejados (cena que me partiu o peito), deu um sorriso muito sincero. Apesar de contar com apenas 1 solitário dente, nunca vi um sorriso tão emcionante. Daí querer me abraçar foi foda, mas firmeza ele merece. Fumando um cigarro estranhão, ele me ofereceu um pega. E eu recusei, tinha um maço no meu bolso. Quando viu, me pediu um cigarro, Marlboro. Quando ele acendeu o cigarro quase teve um orgasmo, pegou um goró errado e matou em um gole só. E eu vendo a cena inteira. Tomou, engasgou, sentou tossindo olhou pro lado e lançou: uurrghh!! gorfou na roupa. Sem perder a classe e a elegancia me olhou e sorriu de novo. Com o gorfo vazando pela tangente. Deitou na rua, fria, e virou de bruço pra não gorfar na roupa. Tava cagado. Fiquei mal, com pena quis oferecer ajuda, e ele em um tom sóbrio me disse: " Quer me ajudar? Então me mate!" Na mesma hora eu falei : "matar você! você bebeu?" "Bebi" " é eu vi, mas matar" "Isso, me mata de emoção e me discola mais um cigarro...." Dei o outro cigarro. "há seculos que eu não fumava um marlboro" e eu: "mas vc já fumou antes?" " Vixxx, eu trabalha na prikinis movis" desse jeito ele falou. " e o que vc fazia?" perguntei, com receio que ele respondesse que era gerente e tal. E ele me lançou: " Era segurança. No dia em que meu barraco caiu e minha mulher e filha morreram, fui despedido. Só porque eu tomava pinga. Mas a noite não tinha problema, ninguém via que eu estava no bar." " E aí?" eu comecei a me envolver com a história. " Aí todos lá da vila foram parar num abrigo da prefeitura, e quando cheguei lá não vi minha família, somente o canguru, que tá comigo até hj. Saí e nunca mais voltei, vivo perto do parque ivzirapuera." Todo dia nasce um prédio de luxo naquele local. Poodles e yorshires desfilam com novas roupinhas na frente do extraordinário cangurú. Um rosto cortado e cheio de ematomas, os seguranças dos diamantes não aliviam, os moradores se mostram cegos. O mundo que gira, não parece mudar aquele homem. A barba não cresce mais, as unhas não são cortadas. Mas o frio corta, rasga a carne. A chuva empodrece o lixo, a sua cama. O mundo foi cruel e continua sendo. Claro, somente aqui 1 marlboro significa felicidade. E toda noite reza pela filha. E toda noite reza para Deus. Imóvel o canguru me olha como que pedindo o céu. O céu tá escuro, a chuva veio se mostrar.

3 Comments:

Blogger Daniel Boa Nova said...

Amargo.....


Mas casquei o bico!!

2:11 PM  
Anonymous Anônimo said...

Quem foi que escreveu essa... crônica ?
É foda, mâno. É foda. Mas o mais foda é que essas cenas não deveriam render apenas uma crônica, entende ?
Mas aí, seguimos em frente, sabendo que um dia a borboleta já foi taturana, ou vice versa...
MOL

9:31 PM  
Anonymous Anônimo said...

Eu que escrevi. Concordo mol, é foda. Na verdade é baseada em fatos reais, mas não totalmente verdadeira. Enfim, tava chovendo eu tava mal e aí saiu meio tensa, se bem que, com partes comicas.
O blog é isso...........

9:20 AM  

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