segunda-feira, agosto 16, 2004

Ódio

Pau no seu cú filho da Puta. Aliás Pau no cú da sua família inteira. Foi exatamente isso que me passou pela cabeça durante todo o meu trampo neste último domingo. Alguma coisa acontece e não há nada que impeça(impessa?). Acho que tudo isso é reflexo do texto "inversão Natural" do MILONGAS. A ordem é outra. O tempo é curto, e eu tô quase falhando, é , pulando fora, sofrendo. Não aprendi a mandar, não sei dar bronca, não consigo enxergar eles como sendo subordinados. Falho, fico amigo e aí já viu, né? Fudeu!!! Domingo, 6 da matina, sono. Os primeiros raios de sol brindam o dia. De longe logo avisto a cara de porco, nojo. Até então, o segurança, PM, subordinado a mim que a cada dia não entendo mais a nossa infeliz existência. Um kadett 89, zuado, filmado até o último, a família. Filho e mulher, a reprodução da mesma condição podre que me indigna, agora mais ainda. - E aí Ricardão, e essa força? Força é o caralho. - Se liga, olha aqui!! - mostrando uma mancha de sangue na calça. - Fui atravessar a rua de carro e um cabaço cruzou, de farol vermelho, a avenida e estorou na frente do meu carro. Desceu do carro meteu a mão no meu peito e me tirou, aí vc já viu né Ricardão, um a mais a sete palmos.... Silêncio, nojo, repúdio, energia ruim. Fui a fundo. Não devia ter feito isso em hipótese alguma. Resultado: O infeliz, escroto policial, foi durante 17 anos do choque. Segundo ele mesmo o choque é o último recurso da policia, se nada adiantou, manda o choque porque é o seguinte, não tem conversa. na mesma hora me veio o som das batidas de escudo e vozes graves gritando: CHOQUE, CHOQUE, CHOQUE. Inocente como sou fiz uma pergunta estúpida: - Porra Carvalhão, mas se vc era do choque durante todo este tempo, vc conheceu alguém do choque que estava no sangrento episódio do carandirú em 92? - E para minha surpresa: - Não, não, EU ESTAVA lá!!!! - Minutos de silêncio até que ele resolveu falar, com um bafo azedo de quem virou a noite cachaçando depois de ter brincado de Deus. Pára..... Nem quero, ou talvez nem consigo relatar o que ouvi. Muito tenso, Fleury, o mandante, Tenente Conte o demônio, Choque os capetas. Nada que vc leu no livro ou viu no filme é comparável com aquelas horas de relato da mais podre realidade. Horas tentando me convencer que aquilo não foi um massacre, e sim uma solução. Cachorros, bombas, e armas, muitas armas.... Aos olhos de quem entrou lá gritando e perdeu a conta de quantos pais, irmãos, filhos, tios e sobrinhos se perderam por lá. Inocente, ninguem é, já nascemos pecando. Bíblia é a mascara, Deus é um mero personagem coadjuvante no processo inteiro. Sangue, sangue, e risos.... muitos risos. Pra quem nem imagina, após o ocrrido, o tal do tenente conte produziu uma festa para comemorar o sucesso da operação. Festa esta bancada pelo então Governador, Fleury. Comemorar o que? A vida? A morte? A farda? Não sei, aliás não sei como consegui ouvir tudo até o fim. Minha espinha ficou gelada, meus pelos se arrepiaram, um nó imenso na minha gargante se formou. Dor? Angústia? Sofrimento? Não, não. Ódio. Deus me abençoe. Ricardo.

2 Comments:

Anonymous Anônimo said...

texto foda, mto foda... Comentário sério para assunto sério... é a ordem se inverteu antes mesmo de eu nascer, mas isso não é desculpa para não fazer nada. tapa na cara é pouco. Se a justiça dos homens não existe é melhor confiar na dívina.
ass: Monarca

4:27 PM  
Anonymous Anônimo said...

Ric, seu texto é maravilhoso. Com um ritmo absurdo. Você tem muito talento...pena que o assunto enoja qualquer um. Antes ter nojo, do que ficar inerte.
Beijos da fã, Bell

4:15 PM  

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